Bete Coutinho

Bete Coutinho nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Residente em Brasília, com formação universitária na área de Educação, encontrou nas experimentações com fotografia e outras linguagens expressivas um meio de concretizar seu universo imaginário. Com uma mãe artista e pai escritor, o universo lúdico sempre esteve presente em sua vida. Seu envolvimento com a fotografia veio mais tarde, em 2008, e em 2012, pós graduou-se em Artes Visuais. Desde então, vem desenvolvendo projetos autorais, cuja poética, lúdica e experimental, tem como fio condutor a memória.

Participou de diversas exposições entre elas: Facets of Brazil no Signal Arts Centre em Bray, Irlanda; Panorama f/508 de Fotografia, no Noviembre Fotográfico em Havana, Cuba; OndeAndaAOnda, realizada pelo Museu Nacional da República, em Brasília; e ATela/L’Écran, promovida pelo Museu Nacional e Le Fresnoy – Studio National des Arts Contemporains de Paris.

Seu trabalho está presente na publicação Ousadia em Imagens, que integra a Coleção Arte em Brasília.

Brasília Pequena

Desde as minhas primeiras buscas de conhecimento da fotografia desejei realizar um trabalho singular a partir de recortes fotográficos de Brasília. A cidade aonde vivo e para onde trouxe lembranças. Cidade que povoou meu imaginário ao ver os mapas mostrados por meu pai, antes da mudança mais significativa da minha vida.

Mas, o quê e como representar visualmente uma cidade, se tudo nela já foi representado em diversas linguagens? Suas linhas, suas curvas. O céu, a noite, a solidão. O concreto, o verde. E como, ainda, promover um diálogo dessa representação com meus sentimentos, memória e imaginação?

Foi então que decidi recriar Brasília. Do registro fotográfico de pequenos detalhes minuciosamente garimpados em restos de edificações demolidassobre os quais fiz surgir minha Brasília imaginária.  De traços leves, para não apagar as histórias testemunhadas pelo tempo. Queria que a alma de Brasília permanecesse ali.

Elegi a liberdade, a transformação e o silêncio – invisível e profundo, como os principais conceitos do meu trabalho. Silêncio acolhido, guardado, que traz em si, implícito, os conceitos de vida e de morte, de transcendência e revelação. Meu silêncio é o silêncio das noites escuras de Brasília. Testemunha de solidões, medos, prazeres, sonhos. Definições que transitam dos suportes às imagens e da busca de significados à compreensão de mim mesma e da minha própria criação.

Iluminado pelo luar apenas, escolhi como testemunha desse silêncio um personagem que, como eu, não podia se ver privado da singularidade de Brasília. Esse personagem que encena o palco de pequenas verdades e ilusões nasceu ao ouvir de meu pai a história de JK, quando veio a Brasília, de caminhão, certa madrugada. Compartilhei com ele, o personagem, meus sentimentos de admiração, de amor, de surpresa, de decepção e de esperança. E banhados na solidão da noite, percorremos juntos e na invisibilidade, a pequena Brasília, que pintei com as cores preto e branco de infinitas possibilidades.

Fotografia. Desenho. Brasília Pequenaé um convite ao lúdico ou à reflexão sobre preceitos mais profundos: a vida, a morte, o desejo de superação, a permanência, a transcendência. Um pequeno universo onde o concreto e o abstrato, o real e o imaginário, a razão e a fantasia convivem harmoniosamente.

Valores:

Brasília Pequena
tamanho 13 x 16,5cm
Tiragem: 12
Preço: R$ 600,00

Livro Aberto

O livro aberto das histórias sem palavras constitui-se de fotografias produzidas com aparelho celular, impressas de forma experimental em películas instantâneas a cores e papéis fotográficos vencidos, bem como outras superfícies que constituem cartuchos para câmera polaroid. Os resultados desse processo foram digitalizados e novamente impressos em papel fotográfico.

Criado a partir da inquietação com o fazer fotográfico aleatório e sem propósito, foi pensado como o debruçar da fotografia sobre si mesma e tem como vértice paisagens de dois mundos: o íntimo e o que vivemos.

A ideia de imprimir as imagens em suportes que seriam convencionalmente meios de produção e revelação fotográfica – cartuchos de filmes instantâneos – surge como tentativa de resgatar o lúdico, singular e palpável.

Agregar novos elementos às imagens – transparências, aberturas, setas que sugerem percursos, falhas de impressão, amassados nos papéis, borrões de tinta, superfícies claras, escuras ou vazias – me fez pensar nos sentidos simbólicos dos quais se revestem os processos de criação, onde camadas de significados se penetram, se misturam e se desvelam além das imagens.

Valores:

Livro Aberto
tamanho 20 x 30cm
Tiragem: 10
Preço: R$ 380,00

Todas as fotos estão à venda impressas em papel de algodão, assinadas e numeradas pela fotógrafa. Para encomendar a sua foto, entre em contato através do email:  galeria@f508.com.br