Hilma af Klint: Mundos Possíveis

por Giullia Chaves

A curadoria da exposição “Hilma af Klint: Mundos Possíveis” traz um total de 130 obras da pintora sueca para a Pinacoteca do Estado de São Paulo. A artista é filha de um oficial da marinha com uma dona de casa. Aos 20 anos, a artista se mudou para Estocolmo onde ingressou na Academia Real das Artes da Suécia e deu início a sua trajetória profissional.

1_xPzxYpFqbfZ3REvr0BILfg

Hilma é considerada uma das precursoras do abstracionismo, pois ainda antes de Kandinsky e Mondrian — por volta de 1906 —, começou a modelar o invisível usando uma linguagem abstrata precoce para a época. Uma artista completa e muito interessada nas áreas de botânica e matemática, Hilma foi desenhista científica no Instituto Veterinário de Estocolmo antes de começar seus estudos teosóficos e isso claramente influenciou muito em alguns de seus trabalhos.

A artista pintava séries de quadros, sendo as “Pinturas para o templo” suas maiores telas, com cerca de 3m de altura. É possível enxergar uma certa fluidez em suas obras, e a escolha das cores transmite essa constância e uma certa calma por conter tons apastelados. Ela utilizava de várias técnicas para suas diferentes séries, como o uso de trigo e absinto para fazer trabalhos semelhantes aos de aquarela, sempre tentando dar forma àquilo que diziam ser invisível.

Fez parte de um grupo de mulheres denominado “As Cinco”. The Five, como costumavam ser chamadas, eram artistas mulheres que acreditavam ser conduzidas por espíritos elevados com desejo de se comunicar por meio de imagens. Desde esta época, — algo em torno do final do século XIX —, estas mulheres já dominavam as técnicas da escrita e do desenho automático em suas pinturas, o que consistia em traços feitos a partir do livre movimento das mãos das artistas sobre a tela (ou qualquer outra superfície de trabalho).

Hilma pode ser considerada uma artista que navegou nas mais diversas áreas da arte, desde pinturas técnicas para publicações de biologia, até arte abstrata. Tudo o ela que fazia tinha um significado espiritual ou a intenção de explicar sua percepção a respeito dos mais diversos temas para o espectador. As obras sempre tinham um quê de religiosidade e mistério misturado com um sincretismo e pluralidade de visões. Ao ser uma das primeiras mulheres a ingressar na Sociedade Teosófica, ouviu de um grande amigo que seu trabalho não seria entendido por pelo menos os próximos 50 anos pela complexidade com que pintava e pela inovação claramente impressa em suas pinturas fantásticas.

Ela fazia questão de colocar em suas obras uma percepção muito complexa de mundo. Combinava cores em cada sequência. São quadros agradáveis de olhar, com uma escolha de cores consciente por parte da artista, alternando numa mesma tela tons pastéis e cores fortes. Suas séries tornam-se inesgotáveis em questão de conteúdo. Existe claramente uma linha que conduz e sustenta seu pensamento e ideias da primeira à última tela. Quanto mais se olha, mais conclusões se tem a respeito da completude do seu trabalho.

Por conter um viés espiritual, o conjunto de suas obras desperta reflexões a respeito de não estarmos sozinhos no universo e de uma força superior que o conduz e toma conta de tudo. É realmente o abstrato se tornando palpável de alguma forma que chega a ser inexplicável em palavras. Ela consegue provocar no espectador reflexões a cerca de vida e morte, permanência e transcendência mesmo nas obras mais técnicas, onde retrata espécimes biológicas para estudo. É como se sua obra tivesse um quê de transportar quem vê para dentro de si.

04db0489ff

Esse texto é uma colaboração de Giullia Chaves e foi produzido durante a disciplina História da Arte Moderna e Contemporânea, ministrada por Raisa Ramos, na Pós-Graduação Lato Sensu em Fotografia como Suporte para a Imaginação.

Siga o f/508 nas redes sociais:

facebook

instagram

pinterest

twitter