Fotografia Ibero-americana | Nelson González Leal



Nelson González Leal | Brasil – Venezuela

Escritor, periodista y fotógrafo venezolano. En la actualidad ejerce funciones diplomáticas en la Embajada de la República Bolivariana de Venezuela en Brasil.

En 1993 obtuvo el primer premio en el XLVIII Concurso Anual de Cuentos del diario El Nacional. De su autoría, se han editado los volúmenes Entre grillos y soledades (poesía, Edit. Petroleum, Maracaibo, Zulia, Venezuela, 1986), Una pista sutil (relatos, Edic. SCEZ, Maracaibo, Venezuela, 1988), Un paseo por la narrativa venezolana. Ocho relatos cortos (antología, Edit. Resma, Santa Cruz de Tenerife, España, 1988), Esa pequeña porción del paraíso (novela, Comala, Caracas, Venezuela, 2001), Pensar la Patria (ensayo, Edic. Consejo Nacional de la Cultura, Caracas, Venezuela, 2004) y Días Felices. Trece crónicas y una coda (crónicas, Monte Ávila Editores Latinoamericana, colección Continentes, Caracas, Venezuela, 2005). Las antologías Voces nuevas 1989-1990 (Edic. Fundación Celarg, Caracas, Venezuela, 1990) y Cuentos que hicieron historia. Ganadores del concurso anual de cuentos del diario El Nacional 1946-2004 (Editorial Los Libros de El Nacional, Caracas, Venezuela, 2005) contienen algunos de sus textos narrativos.

Como fotógrafo participó de la VII Muestra de Fotografía de América Latina (colectiva, Albacete, España, 2007), Latinidades: Una Nación, dos países y siete artes (colectiva, Brasilia, Brasil, 2008) y Lab f/508 (colectiva, Brasilia, Brasil, 2008). Formó parte de la selección realizada por el Grupo Câmara Obscura de São Paulo para integrar el libro electrónico de fotografía Sentido Vago.

Imagens em tempo surreal


temposurrealI

Lá fora, chove. Dentro faz calor, o cansativo calor dos infernos. Um tic-tac de relógio cansado, mais lento que de costume, um tic-tac que parece ser de vários segundos dentro de cada segundo, marca o tempo das imagens que se congelam atrás da objetiva de minha câmera.

temposurrealII

Assim digo como o velho Goethe: para o instante, você é tão belo! Mas peço que se detenha esse tempo circular que anima o rito, a transcendência, o espaço da memória e suas imagens surreais. Não quero o tempo linear, vazio, obtuso, que vai para o futuro, mas sim aquele que retorna sempre sobre as mesmas horas, de volta e revolta. Esse tempo sagrado que perdemos já na cotidianidade nefasta dos dias sem ventura, dos dias parcos, quebrados, ausentes de luz, de cor, de intimidade.

temposurrealIII

Lá fora chove enquanto preparo minha câmera para continuar captando o tempo e suas surpresas rituais, e fico sem palavras, sem conceitos, sem teorias, nem aproximações, que expliquem esse tic-tac de relógio cansado e essa maravilha visual que compõe cada quadro que vejo do olho da câmera.

temposurrealIV

Tudo deriva de um encontro com o esquecimento do íntimo e ao mesmo tempo tudo pretende escapar das armadilhas sutis dessa intimidade. As imagens –composições visuais, mas bem- são um corpo que se engendra por si mesmo. Talvez não digam mais que o que mostram. Talvez só nos permitam as acompanhar durante um tempo plano, imediato, embora acredite que isto só acontecerá se permitirmos que o tempo nos esgote tanto como o tic-tac de vários segundos dentro de cada segundo. Pelo resto, há tanto que descobrir em cada tempo, em cada quadro, em cada imagem, se emprestarmos atenção a sua própria origem – e isto é parte do desafio fotográfico.

temposurrealVI

Não pretendo demonstrar o irrefutável patetismo do tempo desgastado, do tempo linear que deixa para trás as coisas, as horas, os dias. Tampouco procuro transformar a realidade em algo antigo, em um ritual atávico. Não quero me apropriar de nada, sou contra isso. Prefiro que aquilo que vejo se aproprie de mim e me faça espaço.

temposurrealVII

Talvez seja insuficiente o linear comum do tempo. Talvez não bastem os relógios. Talvez os odeie. Ou talvez seja ambivalente minha relação com eles e por isso procuro filtrar seu avanço através da câmera fotográfica, através de cada clique.

temposurrealVIII

Esta é uma nova ambição, um jogo com a perpetuidade para combater as máscaras mortuárias do real e também do irreal. Igual lá fora não acabará a chuva nem o cansaço do relógio.

temposurrelIX

Nelson González Leal

Em breve o blog publicará uma entrevista com o autor. Veja outros ensaios ibero-americanos aqui no blog.





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