5 Diretoras de Cinema Brasileiras

por Isabelle Araújo e Glenis Cardoso, do Cine Cleo

O percentual de mulheres brasileiras na direção de filmes tem aumentado nos últimos anos. No entanto alguns nomes femininos da história do cinema nacional não receberam o devido reconhecimento. Nesse texto, buscamos resgatar essa parte da história do cinema brasileiro e trazer o panorama atual.

 

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1. Helena Ignez

Importante figura no movimento na Bahia que deu início ao cinema novo, foi atriz em A Grande Feira (1961), Assalto ao trem pagador (1962) e O Padre e a Moça (1966), e em 1968, interpretou Janete Jane em Bandido da Luz Vermelha. A partir de 2005, passou a dirigir filmes: A Miss e o Dinossauro, Canção de Baal – filme aclamado no Festival de Gramado, Luz nas Trevas: A Volta do Bandido da Luz Vermelha – a continuação do filme dirigido por Sganzerla, Feio, eu?, Poder dos Afetos e Ralé. Além de atriz e diretora de cinema, Helena também dirige peças de teatro.

2. Adélia Sampaio

A primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem brasileiro, Amor Maldito, em 1984. Filha de empregada doméstica, Adélia Sampaio aprendeu sobre cinema trabalhando como assistente em filmes com produção, montagem, fotografia, roteiro. Em meio a tudo isso, dividia o tempo de fazer cinema com a criação dos filhos. Além do longa-metragem, dirigiu também os curtas-metragens Denúncia Vazia, Agora um Deus dança em mim!, Adulto não brinca, e Na poeira das ruas.

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3. Tata Amaral

Se destaca na história do cinema brasileiro como uma das diretoras mais originais e renomadas. Seus filmes, como Um céu de estrelas (1997) e Através da Janela (2000), receberam diversos prêmios nacionais e internacionais. Antônia (2006), seu terceiro longa, deu origem a uma minissérie homônima de enorme sucesso.

4. Juliana Rojas

Rojas começou a escrever e dirigir filmes de horror já na faculdade. Seu interesse pelo horror, musicais e fantasia culminou em uma parceria com o cineasta Marco Dutra e a mistura de gêneros é uma característica forte da obra de ambos. O primeiro filme da dupla Trabalhar cansa (2011) traz uma crítica social a partir do gênero do horror. Sinfonia da Necrópole (2014), longa dirigido por Rojas, é um musical que mescla o horror e a comédia em uma história sobre zumbis, coveiros e relações trabalhistas. As boas maneiras (2017), o mais recente trabalho de Dutra e Rojas traz mais uma vez elementos de diferentes gêneros, dessa vez numa história sobre amor, maternidade e lobisomens.

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5. Viviane Ferreira

No ano passado, um levantamento da Agência Nacional do Cinema apontou que, em 2016, nenhum dos longas-metragens brasileiros exibidos nas salas comerciais de cinema do país haviam sido dirigidos por mulheres negras. A forma como esse dado foi divulgado dava a entender que não havia diretoras negras no Brasil, excluindo o trabalho de mulheres negras que estão sendo apresentados em festivais, mostras e cineclubes, espaços de resistência e de grande importância política. Uma das realizadoras mais importantes desse movimento é a diretora Viviane Ferreira com filmes como O Dia de Jerusa (2014) e Mumbi 7 Cenas Após Burkina (2010). Além de realizadora, Ferreira é uma das fundadoras da Odun, empresa que busca capacitar cineastas, produzir filmes e realizar projetos artístico-culturais.

O Cine Cleo ocorre a cada duas semanas na Faculdade de Arte Dulcina de Moraes, em Brasília. Composto por uma equipe de mulheres, o cineclube busca ser um espaço onde vozes que geralmente não têm espaço podem ser ouvidas. Filmes dirigidos por mulheres, temas urgentes e debatedoras formam o DNA desse projeto. Para acompanhar a programação: facebook.com/cinecleo